(47) 98867-0043 Blog — Sondagem SPT
Equipe da NEV Geotecnia executando sondagem SPT em obra de condomínio
Resposta direta: A NBR 8036 fixa o mínimo pela área de projeção da edificação: 2 furos até 200 m², 3 furos entre 200 e 400 m², 1 furo a cada 200 m² até 1.200 m² e, acima disso, 1 furo a cada 400 m² excedentes até 2.400 m².

A pergunta chega quase sempre do mesmo jeito: "quantos furos eu preciso?". A resposta tem norma, a ABNT NBR 8036 (Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios), e cabe numa tabela. O que não cabe na tabela é o julgamento sobre o terreno, e é aí que a maioria dos programas de sondagem erra para menos.

O que a NBR 8036 fixa

A norma parte da área de projeção em planta da edificação, não da área do lote nem da área construída. Com esse número, o mínimo é:

Área de projeção da edificação Número mínimo de furos
Até 200 m² 2
De 200 a 400 m² 3
De 400 a 1.200 m² 1 furo a cada 200 m²
De 1.200 a 2.400 m² 6 furos + 1 a cada 400 m² que excederem 1.200 m²
Acima de 2.400 m² Definido caso a caso, conforme o plano particular da construção

Alguns exemplos, já arredondados para cima como a norma manda:

  • Casa de 150 m² de projeção: 2 furos.
  • Sobrado geminado com 350 m²: 3 furos.
  • Galpão de 1.000 m²: 5 furos.
  • Edifício com 1.800 m² de projeção: 6 furos até 1.200 m² mais 2 pelos 600 m² excedentes, 8 furos.

A norma também trata da distribuição. Os furos devem cobrir a área da edificação, não se concentrar num canto, e quando forem mais de três não devem ficar no mesmo alinhamento, porque três pontos alinhados não mostram se uma camada mergulha na direção transversal.

Por que dois furos, e não um

Um furo dá um perfil. Dois furos dão a primeira informação sobre variação: se a argila mole aparece com 3 m de espessura num ponto e com 7 m no outro, a fundação de um lado da casa não é a mesma do outro. Com um furo só, essa diferença não existe para o projeto, e aparece depois, como recalque diferencial.

É por isso que a NBR 8036 não abre exceção para obra pequena. O mínimo de dois vale para qualquer edificação até 200 m².

Quando o mínimo da norma não basta

A tabela é um piso. A própria NBR 8036 deixa o número final a critério do projetista, e há situações em que ele precisa subir:

  • Planícies com argila mole (litoral de Santa Catarina, planície do Itajaí, várzeas do Guaíba): a espessura da camada mole muda em poucas dezenas de metros e comanda a solução de fundação. Veja o contexto de Joinville e de Itajaí.
  • Áreas de carste (metacalcários ao norte de Curitiba): o topo rochoso é irregular e o "impenetrável" muda de cota entre furos próximos. Em Almirante Tamandaré a prática é programar mais furos e confirmar com sondagem rotativa.
  • Terrenos com aterro: o aterro raramente é homogêneo; furos adicionais mostram onde ele termina e onde começa o solo natural.
  • Encostas: além da projeção da obra, interessa o talude. A análise de estabilidade da NBR 11682 precisa de furos fora da projeção.
  • Obras com cargas concentradas (silos, torres, pontes rolantes): furos junto aos apoios mais carregados, mesmo que a área total seja pequena.

Nada disso é opinião da empresa de sondagem. É o projetista de fundações quem fecha o programa. O papel da NEV Geotecnia é montar o mínimo pela norma, apontar onde o terreno sugere mais e executar o que for definido.

O que a NBR 6122 exige

A NBR 6122:2022 (Projeto e execução de fundações) exige investigação geotécnica para o projeto de qualquer fundação, e estabelece que a investigação preliminar seja feita, no mínimo, por sondagens a percussão com SPT. Ou seja: o número de furos vem da NBR 8036, a obrigação de investigar vem da NBR 6122, e a forma de executar cada furo vem da NBR 6484:2020. As três normas trabalham juntas, e um relatório de sondagem que cita só uma delas normalmente está incompleto.

Profundidade: o outro lado da pergunta

Número de furos sem profundidade não fecha um programa. A NBR 8036 orienta levar a sondagem até a profundidade em que o solo deixa de ser solicitado de forma significativa pelas cargas da obra; na prática, o projetista estima essa profundidade a partir das cargas e do tipo de fundação previsto. Durante a execução, a NBR 6484:2020 define os critérios de paralisação, que dependem da resistência encontrada. Em perfil com camada mole, o furo precisa atravessá-la por completo, independentemente da profundidade planejada.

Como pedir o programa certo

Para a NEV montar o programa de furos pela NBR 8036, precisamos de três informações:

  1. Área de projeção da edificação em planta (não a área construída total).
  2. Número de pavimentos e tipo de estrutura, porque isso orienta a profundidade.
  3. Localização do terreno, para considerar o contexto geológico da região. Cada página de cidade deste site traz esse contexto, do Norte catarinense à Serra Gaúcha.

Com isso a proposta sai com o número de furos, a profundidade estimada de cada um e a mobilização separada. Como funciona o ensaio, passo a passo, está na página de sondagem SPT.

Fontes: ABNT NBR 8036:1983 — Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios; ABNT NBR 6122:2022 — Projeto e execução de fundações; ABNT NBR 6484:2020 — Solo — Sondagem de simples reconhecimento com SPT — Método de ensaio; ABNT NBR 11682:2009 — Estabilidade de encostas.

Perguntas frequentes

Posso fazer só um furo de sondagem para uma casa pequena?

Não pela norma. A NBR 8036 fixa dois furos como mínimo para qualquer edifício com projeção até 200 m². Um furo só não permite verificar se o perfil varia dentro do lote.

Terreno grande com obra pequena: a área que conta é a do lote ou a da construção?

A da projeção em planta da edificação. O lote só entra quando houver mais de uma edificação ou quando o projetista quiser investigar áreas de aterro, corte ou contenção fora da projeção.

Quem define a quantidade final de furos?

O projetista de fundações, com base na NBR 8036, no tipo de obra e na variabilidade esperada do subsolo. A NEV monta o programa mínimo pela norma e ajusta com o projetista quando o terreno pede mais.

O número de furos muda de uma cidade para outra?

A regra da NBR 8036 é a mesma no país inteiro. O que muda é a variabilidade do subsolo: em planície com argila mole ou em área de carste, é comum programar mais furos do que o mínimo.

Autor e responsável técnico: Eng. Civil Alex Rafael Niepiçuy — CREA/SC 199031-9.
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Publicado em 29 de setembro de 2026.