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Sondagem SPT da NEV Geotecnia às margens de rodovia
Resposta direta: Quando o programa não fixa outra profundidade, a NBR 6484:2020 manda avançar até obter N ≥ 25 em 10 m consecutivos, N ≥ 30 em 8 m ou N ≥ 35 em 6 m. Camada mole precisa ser atravessada inteira.

"Até onde vai o furo?" é a segunda pergunta mais comum depois de "quantos furos?". A resposta tem duas normas: a ABNT NBR 8036 diz até onde o programa de sondagem deve chegar, e a ABNT NBR 6484:2020 diz quando a equipe pode parar o furo em campo. Elas não se confundem, e o relatório precisa deixar claro qual das duas encerrou cada furo.

A profundidade de programa (NBR 8036)

A NBR 8036 orienta levar as sondagens até a profundidade em que o acréscimo de tensão no solo causado pelas cargas da obra fica abaixo de 10% da tensão geostática efetiva. Em termos práticos: o furo precisa passar da zona do subsolo que a fundação vai solicitar.

Esse critério depende de cargas e dimensões que, na hora da sondagem, muitas vezes ainda são estimativas. Por isso a profundidade de programa costuma ser definida pelo projetista de fundações a partir de uma carga provável e do tipo de fundação em estudo.

Quando parar em campo (NBR 6484:2020)

Se o programa não fixa outra profundidade, a NBR 6484:2020 manda avançar o furo até atingir um destes critérios, sempre com o N medido nos 30 cm finais da cravação do amostrador:

Critério Extensão com resultados consecutivos N mínimo em cada metro
1 10 m N ≥ 25 golpes
2 8 m N ≥ 30 golpes
3 6 m N ≥ 35 golpes

A revisão de 2020 passou a escrever todos os critérios em função do N (golpes nos últimos 30 cm), o que deixou a regra mais clara e, em perfis de resistência intermediária, mais exigente. Na prática, o furo só para cedo quando encontra solo resistente de forma contínua, não num metro isolado de N alto.

Casa, prédio e galpão não pedem o mesmo furo

O critério da NBR 8036 liga a profundidade à carga: quanto maior a carga e a área carregada, mais fundo o acréscimo de tensão continua relevante. Por isso o programa de um edifício de vários pavimentos vai mais fundo que o de uma casa térrea no mesmo terreno.

O tipo de fundação também pesa. Se o projetista estuda estacas, o perfil precisa mostrar o solo abaixo da cota prevista para a ponta, e não só até ela; isso é prática de projeto, e é o projetista quem fixa essa profundidade no programa. Em galpão com piso industrial, a camada superficial que recebe o piso merece tanta atenção quanto a profundidade dos pilares.

Impenetrável não é rocha

A norma também define as condições de impenetrável à percussão e à lavagem: o ponto em que o amostrador ou a perfuração não avançam mais. Isso é um resultado do ensaio, não uma classificação geológica.

Em regiões com matacões, como os morros de gnaisse e granito do Norte catarinense em Joinville e São Bento do Sul, o impenetrável raso pode ser um bloco dentro do solo residual, com solo mole por baixo. Quando a fundação vai se apoiar no topo desse material, a confirmação de rocha contínua é feita por sondagem rotativa (sondagem mista).

Camada mole: atravessar sempre

Nas planícies costeiras e flúvio-marinhas, a camada de argila mole pode ter espessura de vários metros e aparecer com N de 0 a 3. Nesse perfil, nenhum critério de paralisação é atingido dentro da argila, e o furo precisa atravessá-la por completo.

Parar no meio da camada mole é o erro mais caro: a espessura total da argila é o dado que decide entre fundação direta, estaca e tratamento do solo. É também o dado que alimenta a análise de recalque de aterros, assunto do laudo de aterro sobre solo mole.

Nível d'água e profundidade

O nível d'água é registrado durante a execução e depois da estabilização, conforme a NBR 6484:2020. Ele não muda o critério de paralisação, mas muda a leitura do perfil. Abaixo do nível d'água, o avanço por lavagem precisa de cuidado para não amolgar a camada que será ensaiada no metro seguinte.

O que conferir no relatório

Prática que recomendamos a quem recebe o relatório, além do que a norma pede para o boletim:

  • Profundidade final de cada furo, com o motivo da paralisação: critério da NBR 6484:2020, impenetrável ou profundidade definida no programa.
  • N metro a metro até o fim, para verificar se os metros consecutivos de N alto realmente aconteceram.
  • Cota da boca do furo referida a uma RN, para comparar a profundidade de parada entre furos.
  • Nível d'água com data e hora da leitura.

Se o relatório não diz por que o furo parou, pergunte antes de projetar. É uma informação de uma linha que define se o perfil é suficiente para a fundação escolhida.

Como a NEV programa a profundidade

Recebemos a localização do terreno, a área de projeção e o número de pavimentos. Com isso montamos o programa pela NBR 8036 e executamos pela NBR 6484:2020, seguindo os critérios de paralisação da norma quando o projetista não define outra profundidade. Em terreno com indício de camada mole ou de matacão, avisamos antes da campanha, porque isso muda a proposta. Veja também como fica a sondagem em Florianópolis e em Curitiba.

Perguntas frequentes

Quem decide a profundidade da sondagem SPT?

O projetista de fundações, no programa de investigação, a partir das cargas e do tipo de fundação previsto. Quando o programa não fixa profundidade, valem os critérios de paralisação da NBR 6484:2020.

A sondagem parou no impenetrável: encontrei rocha?

Não necessariamente. Impenetrável ao SPT significa que o amostrador não avança mais com o martelo; matacão, pedregulho compacto ou solo de alteração muito resistente dão o mesmo resultado. Para afirmar que é rocha contínua, a confirmação é por sondagem rotativa.

Uma sondagem mais rasa sai mais barata. Vale a pena?

Só se o projetista definir essa profundidade no programa. Parar antes do critério da norma, ou no meio de uma camada mole, deixa o projeto de fundação sem o dado que decide entre sapata, radier e estaca.

Autor e responsável técnico: Eng. Civil Alex Rafael Niepiçuy — CREA/SC 199031-9.
NEV Geotecnia — NEV Serviços de Engenharia Ltda. — CNPJ 60.936.736/0001-06 — Rua Carlos Rueckl, 681 — Sala 2 — Serra Alta — São Bento do Sul/SC — CEP 89291-105.
Publicado em 5 de outubro de 2026.